Acalma mãe
Bem-vinda, mãe!

Quando o mundo reconhece o brilho que eu sempre vi: a premiação do meu filho

Terça-feira, vivi um daqueles momentos que uma mãe guarda para sempre na memória, e no coração. Meu filho recebeu medalha de ouro na Olimpíada Brasileira do Oceano, e ainda foi homenageado pela escola pela dedicação, curiosidade e amor pelo conhecimento. Foi mais do que uma medalha. Foi mais do que um certificado. Foi mais do que uma cerimônia bonita. Foi a confirmação de algo que eu sempre soube, mesmo quando o mundo parecia não enxergar: meu filho é extraordinário. E digo isso não por orgulho cego de mãe, mas porque conheço de perto a trajetória dele. Os desafios, as adaptações, o esforço diário, as noites difíceis, a inquietação, o brilho nos olhos quando algo desperta o interesse, a forma única como ele pensa, descobre e questiona. O caminho dele nunca foi linear. Nunca foi “fácil”. Mas sempre foi verdadeiro. E ontem, quando o chamaram pelo nome para receber a medalha, senti como se cada pedacinho dessa jornada, cada dúvida, cada choro, cada conversa, cada estímulo, cada conquista silenciosa, tivesse encontrado seu lugar. Foi um daqueles raros instantes em que o mundo inteiro parece dizer: “Eu vejo você.” E isso muda tudo para uma mãe. Porque quem cria uma criança neurodivergente sabe que, muitas vezes, o reconhecimento não vem. O olhar acolhedor não vem. A compreensão não vem. A validação não vem. Por isso, quando vem… a gente respira mais fundo. A gente se emociona sem pedir licença. A gente abraça, segura, fecha os olhos por um segundo e pensa: “Valeu a pena. Está valendo a pena.” Mas a verdade é que essa medalha não representa apenas um resultado acadêmico. Ela representa: • a curiosidade viva • o prazer em aprender • a paixão por ciência • a coragem de tentar • a capacidade de ir além • e o valor de ser exatamente quem ele é Representa também algo muito maior: o impacto de uma educação que acolhe, que respeita as diferenças, que incentiva o olhar crítico e o encantamento pelo mundo. Porque crianças como ele não brilham quando são cobradas a se encaixar. Elas brilham quando são autorizadas a ser. E ontem ele brilhou. E iluminou também a mim. Saí de lá com a premiação dele nas mãos e a certeza no peito de que estamos no caminho certo. Que o conhecimento transforma. Que o incentivo fortalece. Que o apoio emocional sustenta. E que cada criança tem um universo próprio, cheio de possibilidades, esperando para ser descoberto. Hoje escrevo esse texto como mãe, mas também como educadora parental para lembrar você de algo importante: Quando uma criança é vista, ela floresce. Quando é reconhecida, ela acredita em si. Quando é apoiada, ela vai mais longe. Que possamos celebrar cada avanço, cada tentativa, cada passo, cada brilho. Porque nossos filhos merecem ser vistos pelo que são, e não pelo que esperam deles. E que essa medalha seja apenas a primeira de tantas conquistas — acadêmicas, emocionais, afetivas e humanas, que estão por vir. Parabéns, meu filho. Você é ouro todos os dias. E eu tenho a honra de testemunhar isso.
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O Congresso que Mudou Meu Caminho: Minha Transformação no 6º Congresso Internacional de Educação Parental

Quando decidi participar do 6º Congresso de Educação Parental, eu sabia que seria um evento importante… mas não imaginava o quanto ele se tornaria um divisor de águas na minha vida pessoal, acadêmica e profissional. Foram dias intensos, cheios de aprendizagem, acolhimento e trocas profundas. Dias em que eu ouvi histórias reais, vi mães como eu, conheci famílias que enfrentam desafios complexos, e acompanhei profissionais apaixonados pela infância. Tudo isso despertou em mim algo que já vinha crescendo silenciosamente dentro de mim. Eu entendi, com absoluta clareza, que meu propósito vai muito além de escrever, estudar e compartilhar conteúdos: meu propósito é ser educadora parental para famílias de crianças com TDAH. Uma jornada sustentada por formação, estudo e propósito Nos últimos meses, venho investindo profundamente na minha formação como educadora parental, porque eu acredito que transformação só acontece quando há responsabilidade, ética e preparo. Hoje, caminho com orgulho e dedicação em três formações essenciais: Formação em Educação Parental para Famílias Atípicas pela UniEncoraje – focada em acolher realidades plurais, desafiadoras e emocionais. Formação em Educação Parental e Psicanálise, pelo Instituto Maternittà – uma abordagem profunda que me ajuda a olhar para a maternidade, para a infância e para o vínculo com mais sensibilidade e escuta. Pós-graduação em TEA, TDAH e Inclusão (PUC-PR) – que amplia meu conhecimento técnico sobre o desenvolvimento, a neurodivergência e o impacto das relações no processo de aprendizagem e regulação emocional. Cada uma dessas formações dialoga diretamente com o meu propósito. Cada curso aprofunda minha capacidade de acolher mães, compreender suas dores e oferecer ferramentas reais, humanizadas e possíveis. Cada aula revela um pedaço do caminho que eu quero trilhar. A alegria de dizer: sou embaixadora do 7º Congresso Internacional de Educação Parental A conexão que vivi neste congresso foi tão verdadeira que, antes mesmo do evento terminar, eu já tinha tomado duas decisões: ✔ Garantir minha participação presencial no próximo ano ✔ Ser embaixadora do 7º Congresso Internacional de Educação Parental Levar meu nome, minha história e o Acalma, mãe para esse espaço é uma honra que eu recebo com responsabilidade e alegria. Eu estudo para transformar vidas, inclusive a sua A cada dia, eu estudo com mais profundidade para entregar: Conteúdos responsáveis Acolhimento verdadeiro Ferramentas práticas para o dia a dia Apoio emocional para mães exaustas Conhecimento sério sobre TDAH na infância Caminhos que promovem pertencimento e vínculo Quero que cada mãe que chega ao Acalma, mãe sinta isso: “Eu não estou sozinha. Aqui eu sou compreendida.” Acalma, mãe: um espaço que floresce junto com você O Congresso terminou, mas dentro de mim algo começou. E é só o começo. Meu compromisso é seguir estudando, aprendendo, crescendo e ensinando, com respeito, ética, responsabilidade e amor. Obrigada por caminhar comigo. Obrigada por confiar em mim. Obrigada por dar sentido a esse propósito. Acalma, mãe. O melhor ainda está por vir.
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Quando eu mesma fui capacitista com o meu próprio filho

É difícil admitir. Mas, como mãe, eu também já duvidei da capacidade do meu filho. Não porque eu não acreditava nele… mas porque eu tinha medo do mundo machucar ele. E, às vezes, esse medo faz a gente fazer por eles aquilo que eles poderiam fazer sozinhos. Evitar frustrações. Antecipar dificuldades. Resolver antes. Proteger demais. E, sem perceber, eu mesma já fui capacitista com ele. Eu já pensei que ele não iria conseguir. Eu já supus que ele não daria conta. Eu já pensei “eu faço, é mais rápido”. Eu já fiz por ele achando que estava ajudando — e, na verdade, eu estava tirando dele a oportunidade de experimentar, tentar e crescer. E tem mais uma verdade difícil de confessar… Eu já comparei o meu filho com os meus outros filhos. Não na frente dele. Não para diminuir. Mas internamente… silenciosamente. E cada vez que eu fazia isso, eu sentia um aperto que doía lá dentro. Porque essas comparações não mostram quem ele é… elas só refletem o quanto eu estava presa ao modelo do que eu achava que “deveria ser”. E isso angustia. Isso pesa. Isso machuca a gente também. Comparação não ajuda. Comparação nos afasta do real para nos prender a uma expectativa. E esse processo de reconhecer isso… faz parte do anticapacitismo materno também. Outro dia, fomos ao shopping. Ele queria um par de luvas. E disse: “Eu mesmo vou perguntar na loja”. O meu impulso automático foi ir junto. Controlar. Garantir. Mas eu respirei… e deixei. Ele entrou. Perguntou. Conversou com o vendedor. Explicou o que queria. E quando eu entrei depois, lá estava ele — sendo capaz. Foi ali que eu percebi algo que mudou tudo: às vezes, o mundo duvida do nosso filho. Mas quem mais precisa parar de duvidar primeiro… somos nós. Porque quando a gente confia, ele se expande. Quando a gente permite, ele experimenta. Quando a gente sustenta, ele cresce. E eu sigo aprendendo, todos os dias, que amor não é antecipar tudo. É permitir que ele viva o processo — e estar aqui, inteira, para apoiar quando ele precisar.
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O ataque que eu vivi me ensinou algo importante sobre TDAH, respeito e lealdade.

Sábado, algo aconteceu publicamente que me fez refletir de forma profunda sobre o quanto ainda precisamos evoluir como sociedade quando falamos de TDAH, acolhimento e saúde mental. Durante uma discussão nas redes sociais, alguém se referiu à live feita no Acalma, mãe! como “uma livezinha de merda”. Essa frase, aparentemente simples, carrega camadas de desqualificação, deboche e desprezo por algo que nasceu para acolher — e não para dividir. E o que mais me impactou emocionalmente não foi o ataque em si. Foi perceber que pessoas ligadas a uma amizade de quase 30 anos estiveram presentes ali, sem cuidado, sem freio, sem preservar história ou vínculo. Nessas horas, o ataque externo dói, mas o silêncio ou a neutralidade afetiva de quem está próximo machuca ainda mais. É nesses momentos que entendemos como invalidar o TDAH, minimizar o sofrimento de quem vive essa realidade e transformar uma discussão em agressão pessoal não acontece só em debates teóricos. Acontece na vida real, na troca humana, na internet, no cotidiano. E revela o quanto ainda existe de incompreensão, desinformação e falta de responsabilidade no discurso público. Quando eu trouxe ciência, fatos e responsabilidade sobre TDAH, o assunto foi desviado para política. O foco mudou de tema, intenção e ética — e a narrativa foi invertida, como se eu estivesse tentando “me promover” por falar de TDAH. Porém, é importante deixar claro: tudo o que faço sobre TDAH no Acalma, mãe! é voluntário — por propósito, por vivência e por compromisso com mães e famílias que precisam de um espaço seguro. Eu não ganho nada com isso. Eu faço porque acredito. Essa experiência me fez lembrar de algo essencial: discutir saúde mental com ironia, ataque, deboche ou intenção de humilhar não é debate — é violência simbólica. E quando isso recai sobre TDAH, recai também sobre mães que lutam, crianças que sofrem, adultos que cresceram sem acolhimento e pessoas que carregam marcas reais dessa condição. Por isso, eu escolho seguir pelo caminho da responsabilidade emocional e científica. Não vou responder com agressão, porque não acredito que agressão constrói. Eu escolho transformar essa dor em reflexão, conteúdo, narrativa e fortalecimento de comunidade. Porque o TDAH não é pauta partidária. Não é bandeira política. Não é etiqueta para diminuir pessoas. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. E merece ser tratado com respeito, seriedade e humanidade. Obrigada a todas as mulheres que estão caminhando comigo nessa jornada. Obrigada a quem entende que acolhimento não é discurso, é postura. Obrigada por estarem aqui. Esse espaço existe para cuidar, proteger e ampliar consciência. E isso nunca será negociável.
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Educação Parental e TDAH: quando a mãe aprende, o vínculo se transforma

Nos últimos meses, algo dentro de mim começou a se movimentar de uma forma diferente. Eu, que venho estudando, lendo, pesquisando, vivenciando o TDAH na vida real — dentro da minha casa — percebi que existia um espaço enorme entre o que as mães vivem e o que elas realmente recebem de orientação, apoio e direcionamento. Foi então que eu decidi ir além. E hoje estou me formando como Educadora Parental, para que eu possa ajudar outras mães a fazerem esse caminho de forma mais leve, consciente e possível. Porque a maternidade é uma jornada que não nasce pronta — ela se constrói. E, quando falamos de TDAH, essa construção ganha nuances ainda mais profundas. Educação Parental não é sobre culpa. Não é sobre julgar. Não é sobre exigir mais do que a mãe já carrega. Educação Parental é sobre orientar, acolher, ajustar e fortalecer vínculos. É sobre entender que comportamento não é ataque pessoal. É sobre enxergar o que está por trás da reação. É traduzir o sentir da criança para que o adulto não interprete apenas o efeito… mas compreenda a causa. É aprender que a conexão vem antes da disciplina. E que quando a mãe entende o funcionamento do cérebro do filho, ela consegue acessar caminhos mais leves e eficazes para ensinar, orientar e apoiar. No TDAH, isso muda tudo. Porque o que para muitas pessoas parece exagero, para uma criança com TDAH é realidade neurológica. Educação Parental, então, não é teoria distante. É prática diária. É olhar para a criança além do comportamento. É construir pontes que impedem rupturas. É permitir que o vínculo se torne plataforma de segurança emocional. E eu quero caminhar com outras mães nessa construção. A partir de janeiro de 2026, além dos conteúdos que você já acompanha aqui, eu também começarei a oferecer atendimentos individuais — exclusivos para mães — com foco em educação parental aplicada ao TDAH e estratégias emocionais para o dia a dia. Tudo com a mesma essência desse espaço: acolhimento, escuta e amor. Porque quando a mãe aprende… a criança floresce.
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Quando a infância começa a ir embora…

Ontem foi a festa de Halloween na escola de inglês. Ele já havia ido outras vezes, mas desta vez foi diferente. Desta vez eu não o acompanhei até a porta do buffet. Eu o deixei lá — como um adolescente. E, de repente, eu percebi: aquela criança que cabia inteira nos meus braços, agora só cabe dentro do meu coração. Ninguém prepara uma mãe para esse momento. Falamos muito sobre primeiros passos, primeiros dentes, adaptação escolar, primeiras palavras. Mas ninguém fala sobre quando eles começam a andar sozinhos sem olhar para trás. Quando os seus planos começam a incluir outros lugares, outras pessoas, outros mundos. Quando eles vão… e nós ficamos ali, olhando, tentando entender como essa travessia aconteceu tão rápido. No TDAH, isso ganha ainda outra camada. Porque existe a sobrecarga sensorial, existe o medo da rejeição, existe a ansiedade pré-evento, existe a necessidade de acolhimento e segurança. E mesmo assim… eles crescem. Eles querem experimentar. Eles querem viver. Eles querem se testar no mundo. E nós, mães, vamos aprendendo a soltar aos poucos. Com o coração apertado, mas cheio de fé. Confiando que estamos construindo pontes, não muros. Confiando que todo apoio emocional que oferecemos desde lá de trás continua dentro deles, mesmo quando não estamos mais segurando a mão. Ser mãe não é apenas acolher. É aprender a ir se despedindo em pequenas doses — e ainda assim continuar sendo porto. Ontem, ao vê-lo entrar sozinho, eu entendi mais uma vez: maternidade também é aceitar que crescer dói nos dois lados. Mas é uma dor bonita. Uma dor que expande. E eu sou grata por poder ver esse caminho acontecer diante dos meus olhos.
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Quando a fé vence a burocracia!

Depois de dias de angústia, idas e vindas, choros e papéis, finalmente o reconhecimento de firma deu certo. Foram tantas tentativas, tantos “não vai dar”, que até o sim parecia improvável. Mas mãe não desiste — ainda mais quando é pelo filho. Fomos à Polícia Federal para fazer o passaporte. Entrei confiante, mas também com aquele medo que vem quando a vida parece testar a nossa força. E então a atendente me perguntou: “Cadê a averbação do seu casamento com o pai dele?” Por um segundo, tudo dentro de mim desabou. Pensei: não é possível, de novo não. Expliquei que eu sou casada com o meu marido atual, mostrei as certidões, mas ela insistia: “Sem a averbação, não tem como seguir.” E ali, no meio daquele balcão frio, com gente entrando e saindo, meu coração disparou. Meu filho me olhava com os olhos marejados e perguntou baixinho: “Mãe, será que agora vai dar errado?” E eu só consegui responder: “Calma, filho. Vai dar certo.” Mas por dentro, eu estava despedaçada. Senti as lágrimas caindo sem conseguir conter. Respirei fundo e pedi, em silêncio: “Deus, por favor, não deixa dar errado de novo. Nossa Senhora, passa à frente.” E a atendente me disse: “Vai, entra. Você vai ver que não vai dar certo.” Com o coração batendo forte, com a fé me guiando, com meu filho ao meu lado. Eu esperei. Minutos que pareceram horas. Pensei em tudo que vivemos até ali — em cada lágrima, em cada porta que se fechou. E então, nos chamaram. Entramos. E deu certo. O passaporte foi emitido. Saímos de lá exaustos, mas aliviados. Só quando sai da sala, com os papéis espalhados em uma mesa de um restaurante, percebi: a averbação estava ali, comigo o tempo todo, no verso da certidão. Chorei de novo — mas dessa vez, de alívio. De perceber que, mais uma vez, Deus conduziu até o fim, mesmo quando eu achei que não aguentaria. Ser mãe é isso: é viver entre o medo e a coragem, entre o desespero e a fé. É lutar até o fim — mesmo sem forças — porque há um olhar pequeno que confia inteiramente em você. E naquele dia, mais uma vez, eu entendi: a fé vence até a burocracia.
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Quando ser mãe é não poder desistir

Ontem, depois de toda a saga pela assinatura do pai para autorizar a emissão do passaporte, achei que finalmente conseguiria resolver. Mas, chegando ao cartório, veio o golpe final: a assinatura dele não batia com a registrada. Não puderam reconhecer a firma. Fiquei parada, olhando o papel, tentando entender como algo tão simples podia ser tão difícil. E, de repente, eu chorei — ali mesmo, na frente da atendente. Não de tristeza apenas, mas de cansaço. De indignação. De sentir que, por mais que eu lute, o sistema insiste em colocar pedras no caminho das mães que fazem tudo sozinhas. Saí do cartório e fui direto ao Fórum, na Vara da Infância e Juventude. Mas o prazo era apertado, e me disseram que não conseguiriam me ajudar a tempo. E então, mais uma vez, a cena que tantas mães conhecem: pedir ajuda para a própria mãe. Pedir para ela falar com ele. Para ver se ele podia assinar de novo, igual à do cartório. Mais uma humilhação, mais uma volta num carrossel que parece não parar nunca. Enquanto isso, meu filho… meu menino, no meio de tudo isso, com aquele olhar que mistura medo e esperança, me perguntou baixinho: “Mãe, nós vamos conseguir?” E eu respondi, tentando conter as lágrimas: “Vou dar um jeito. Você vai viajar.” Ele sabe que eu sempre dou um jeito. Mas o que ele não sabe — e talvez nunca precise saber — é o preço que isso tem. O peso que a gente carrega no peito, o nó que se forma na garganta, a raiva que a gente engole e o amor que continua sendo o combustível para seguir. Hoje, minha mãe volta ao cartório. Mais uma tentativa, mais uma esperança. Porque quando se é mãe, desistir não é uma opção. E por mais que o sistema nos teste, a gente sempre dá um jeito — nem que seja chorando na fila, segurando os papéis com a mão trêmula e o coração firme. Amanhã volto para contar se deu certo. Mas, mesmo sem saber o desfecho, já sei o que essa história ensina: há uma força em ser mãe que nenhum carimbo consegue barrar.
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Quando ser mãe é lutar até pelo que já deveria ser direito

Tem dias em que eu fico desanimada com a justiça brasileira. E hoje foi um deles. O sonho do meu filho era simples — conhecer outro país. Para ele, isso não era só uma viagem; era uma meta, quase uma missão. Quem tem TDAH sabe: sonhos podem se transformar em hiperfoco, e o desejo vira energia, impulso, necessidade. Ele já tinha passaporte, mas uma alteração no meu sobrenome exigiu refazer toda a documentação — inclusive a dele. Até aí, tudo bem. O problema começou quando descobri que, mesmo com a guarda unilateral, eu não poderia emitir o novo passaporte sozinha. Precisava da autorização do pai. De um pai ausente. E começou, de novo, a via-crúcis que tantas mães conhecem: pedir, esperar, insistir, ouvir desculpas, engolir a raiva. “Não posso ir ao cartório.” Então lá fui eu — de novo. Levar a documentação para ele assinar, buscar depois, correr contra o prazo, carregar o mundo e disfarçar o cansaço. Tudo pelo meu filho. Por aquele sorriso que eu queria ver quando dissesse: “Está tudo certo. Agora você pode realizar o seu sonho.” Mas a verdade é que, no meio do caminho, ele se desestabilizou. Ficou ansioso, irritado, frustrado — e descontou em mim. E eu, cansada, acabei ficando brava. E depois, veio a culpa. Ser mãe é isso. A gente luta contra o sistema, contra a injustiça, contra o próprio limite — e, mesmo assim, às vezes o coração falha um pouco. No fim, percebi que não era sobre o passaporte. Era sobre tudo o que nós, mães, fazemos em silêncio. Sobre o quanto nos dobramos, nos refazemos, e mesmo cansadas, seguimos lutando — porque o amor não nos dá escolha. E, mesmo quando o mundo complica o que deveria ser simples, eu sigo.Por ele.Por nós. Porque amar um filho com TDAH é também aprender que os sonhos, por mais distantes, sempre valem a luta
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Quando o amor e a educação se encontram

No último sábado, vivi um daqueles momentos em que o coração transborda. Participei, como expositora de trabalho, de um Congresso de Educação no colégio em que o meu filho estuda — o mesmo espaço onde ele aprende, cresce e me ensina todos os dias. Meu trabalho tinha um tema que nasce, justamente, dessa convivência tão viva entre o ser mãe e o ser educadora: “Língua Portuguesa e TDAH: estratégias práticas para engajar, incluir e desenvolver a aprendizagem.” Escolhi esse tema porque ele é, antes de tudo, sobre o Gabriel. Sobre tudo o que aprendo observando o jeito como ele pensa, sente, reage e transforma os desafios do TDAH em possibilidades de descoberta. Mas foi lá, no meio do Congresso, que algo simples me fez sentir a real dimensão de tudo isso. Enquanto eu conversava com outros educadores, uma professora se aproximou e perguntou: — Você é a mãe do Gabriel? — Sou, sim! E ela respondeu com um sorriso: — Venha ver o trabalho dele. Eu escolhi o dele para expor junto ao projeto que desenvolvemos com a turma. Por um instante, o tempo parou. Entre tantos trabalhos, ver o dele ali — exposto, valorizado, reconhecido — foi como receber um abraço silencioso da vida dizendo: “Está dando certo.” Fiquei ali, olhando o cartaz, o nome dele, o capricho nos detalhes... E pensei que talvez essa seja a parte mais bonita da maternidade: perceber que, no meio do caminho entre o ensinar e o aprender, é o amor que constrói as pontes mais sólidas. A professora me mostrou o trabalho, mas foi o Gabriel quem me ensinou, mais uma vez, o que realmente importa: acreditar no potencial, oferecer oportunidades e celebrar cada passo, por menor que pareça. No fim, percebi que não era só sobre um Congresso de Educação. Era sobre o encontro de duas jornadas — a da mãe e a do filho — caminhando juntas, na mesma escola, com o mesmo propósito: transformar o aprender em afeto e o afeto em aprendizado. Eu te amo, filho! Você me faz uma pessoa melhor todos os dias!
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Entre bússolas, desenhos e conquistas: quando o orgulho de mãe vira lição de leveza.

Pequenas vitórias que enchem o coração de uma mãe Este mês foi cheio de emoções bonitas. Daquelas que a gente não planeja, mas que ficam guardadas no coração como um lembrete de que crescer é um caminho cheio de descobertas — pra eles e pra nós. Meu filho foi selecionado para a etapa internacional da Olimpíada do Oceano, e, alguns dias depois, tirou nota 10 em uma atividade de Desenho Geométrico. Coisas simples, talvez, mas que têm um significado enorme aqui dentro. Mais do que o orgulho do resultado, o que me emociona é ver o brilho nos olhos dele. A alegria de se sentir capaz, de perceber que o esforço valeu a pena. Porque toda criança — especialmente as que convivem com desafios de atenção, emoção ou ritmo — precisa experimentar essa sensação de competência. De saber que ela pode. E quando isso acontece, algo muda dentro da gente também. A gente passa a olhar menos para o que falta e mais para o que floresce. A aprender que o tempo deles não é o nosso, e que o caminho tem seu próprio ritmo. Essas vitórias, pequenas e imensas ao mesmo tempo, me lembram que educar é mais sobre acolher o processo do que cobrar o resultado. É estar por perto, torcendo, acreditando — e celebrando cada passo, mesmo os que parecem pequenos aos olhos dos outros. Porque, no fundo, ser mãe é isso: Ver o filho se descobrindo capaz e sentir o coração se encher de mar.
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Dia dos Professores — entre ensinar e aprender!

Hoje é Dia dos Professores, e mesmo longe da sala de aula, essa data ainda me toca de um jeito diferente. Porque ser professora nunca foi apenas uma profissão — é uma forma de olhar o mundo. E esse olhar, mesmo depois que a rotina muda, nunca se perde. Sinto saudade das vozes, dos olhares, das perguntas que não vinham do livro. Saudade do quadro cheio de ideias, da sensação de ver alguém compreender o que antes parecia impossível. Ensinar sempre foi, pra mim, uma troca — de conhecimento, de afeto, de humanidade. Hoje, vivo um outro papel. Sou mãe. E é pela perspectiva de mãe que a data de hoje me emociona ainda mais. Porque agora, quando vejo meu filho com a mochila nas costas, correndo para a escola, eu vejo também o quanto cada professor importa. Do outro lado, estão pessoas que dedicam tempo, paciência e coração para ensinar — e que, muitas vezes, fazem isso mesmo cansadas, mesmo sem reconhecimento. E é impossível não mencionar dois professores que estão presentes nas duas fases da minha história: Denis e Ana Celia. Companheiros de jornada quando eu ainda dava aula, e hoje, os professores do meu filho. Ver meu filho aprendendo com eles é algo que me emociona profundamente. É como se o tempo se dobrasse — e, de alguma forma, a professora que eu fui e a mãe que sou se encontrassem no mesmo lugar. Gratidão, Denis e Ana Celia, por continuarem a ensinar com o mesmo amor de sempre. Por fazerem parte da minha história e, agora, da dele. Hoje, celebro todos os professores — os que me formaram, os que caminharam ao meu lado, e os que hoje ajudam meu filho a crescer. Porque ensinar é, acima de tudo, um ato de fé. E cada criança que aprende é uma semente de esperança que floresce.
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Mãe, você já notou que o seu filho é desastrado?

Tropeça, esbarra em tudo, derruba o copo, se machuca com frequência, parece não medir distância… Se você é mãe de uma criança com TDAH, provavelmente já viu isso acontecer muitas vezes. Mas calma — esse “jeitinho desastrado” pode ter uma explicação que vai muito além da distração. O TDAH não afeta apenas a atenção. Ele também pode impactar a coordenação motora, o equilíbrio e a percepção corporal — e isso faz com que o corpo da criança pareça “agir antes de pensar”. Pesquisas mostram que há diferenças nas áreas do cérebro que controlam o planejamento motor e a autorregulação, como o cerebelo, os gânglios da base e o córtex pré-frontal. Essas regiões trabalham juntas para organizar o movimento, manter o equilíbrio e ajustar a força e o tempo de cada ação. Quando há uma alteração nesse sistema, a criança pode ter dificuldade em executar movimentos coordenados — e o resultado é aquele “desastre” que você vê no dia a dia. Além disso, existe um transtorno que pode aparecer junto ao TDAH: a dispráxia, ou Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC). Ela faz com que a criança tenha mais dificuldade para aprender e automatizar movimentos — como amarrar os sapatos, segurar o lápis, recortar ou até correr sem tropeçar. Tudo isso exige um esforço enorme que, muitas vezes, passa despercebido. Quando somamos isso à impulsividade típica do TDAH — a tendência de agir antes de pensar —, fica fácil entender por que tantos pequenos acidentes acontecem. Não é descuido, não é preguiça, e definitivamente não é falta de limites. É o cérebro tentando se organizar. O que ajuda? Acolhimento, paciência e estímulo constante. Brincadeiras que envolvam equilíbrio e coordenação, como andar de bicicleta, natação, dança e esportes com bola, são grandes aliadas. A terapia ocupacional também é fundamental para fortalecer essas habilidades de forma divertida e funcional. Mãe, o seu filho não é desastrado — ele está aprendendo a se conhecer no espaço e no tempo. E com o seu olhar atento e amoroso, cada passo, mesmo que trêmulo, é uma conquista. Outubro Laranja — Mês de Conscientização sobre o TDAH Referências: Barkley, R.A. (2022). ADHD and the Nature of Self-Regulation. Dewey, D. & Kaplan, B. J. (2020). Developmental Coordination Disorder and ADHD: Overlapping Features and Neural Mechanisms. American Psychiatric Association (2022). DSM-5-TR. Zwicker, J. G. et al. (2018). Brain Connectivity and Motor Function in ADHD and DCD.
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Quando o som dói: TDAH e Misofonia

Hoje quero falar sobre algo que muitas mães observam, mas poucas sabem nomear: aquele desconforto quase inexplicável que alguns sons provocam nas crianças com TDAH. O barulho da mastigação, o teclar do computador, o tique-taque do relógio ou alguém batucando na mesa. Às vezes, basta isso para que o seu filho tape os ouvidos, se irrite ou queira sair do ambiente o mais rápido possível. Não é manha. Não é birra. É o cérebro reagindo de forma diferente. Essa sensibilidade tem nome: misofonia — uma condição em que sons específicos desencadeiam reações emocionais intensas, como raiva, ansiedade ou até dor física. Esses sons ativam áreas do cérebro ligadas ao estresse e à emoção, como a amígdala e a ínsula, que interpretam o som como uma espécie de ameaça. O corpo responde como se estivesse em perigo, mesmo que o som, para outras pessoas, seja completamente inofensivo. Pesquisas recentes mostram que há uma ligação importante entre o TDAH e a misofonia. Crianças com TDAH têm o sistema nervoso mais sensível e reativo — e podem ter mais dificuldade em regular emoções diante de estímulos sensoriais intensos. Por isso, barulhos, luzes fortes ou ambientes cheios de estímulos podem ser especialmente desafiadores. Como mãe, é muito comum se sentir confusa diante dessas reações. Mas compreender que seu filho não está escolhendo reagir assim pode transformar completamente a forma como você lida com essas situações. O que pode ajudar: Permitir pausas e refúgios silenciosos ao longo do dia; Usar fones com cancelamento de ruído em ambientes barulhentos; Evitar repreender — o acolhimento sempre funciona melhor; Conversar com a escola sobre o ambiente sonoro da sala; Buscar apoio profissional, especialmente de terapeutas ocupacionais e neuropsicólogos. A misofonia não é falta de limites. É o corpo pedindo compreensão. E quando essa compreensão vem de quem cuida, tudo fica mais leve. O amor, a escuta e o conhecimento ainda são as melhores ferramentas que uma mãe pode ter. Outubro Laranja – Mês de Conscientização sobre o TDAH
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Genética não é destino: entendendo o TDAH com olhar de acolhimento

Quando recebemos o diagnóstico de TDAH do nosso filho, é comum que muitos pensamentos venham à mente: “Será que ele herdou isso de alguém da família?”, “Significa que meus outros filhos também terão?” ou até mesmo “Ele vai ser assim para sempre?”. Essas dúvidas são legítimas — e importantes. Mas a ciência tem mostrado algo fundamental: genética não é destino. Pesquisas recentes, incluindo os estudos do Dr. Russell Barkley, um dos maiores especialistas do mundo em TDAH, apontam que o transtorno tem, sim, uma base genética importante. Isso quer dizer que certos genes aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver o TDAH — mas não o determinam por completo. Nosso cérebro é moldado também pelas experiências, pelos vínculos afetivos e pelo ambiente em que a criança cresce. Ambientes acolhedores, rotinas estruturadas, acompanhamento profissional adequado e estratégias educativas positivas podem reduzir significativamente os impactos do TDAH, ajudando a criança a desenvolver autocontrole, foco e habilidades sociais. Em outras palavras, o que a criança vive importa tanto quanto aquilo que ela herda. E é aqui que o papel da família se torna essencial — não como culpada, mas como aliada. Quando os pais compreendem o transtorno, buscam informação e apoio, e olham para a criança com empatia, estão reescrevendo a história genética com amor e presença. Porque o TDAH pode até ter raízes genéticas, mas o florescer depende do cuidado, da paciência e da forma como ajudamos nossos filhos a se entenderem e se desenvolverem.
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Por que algumas pessoas insistem em criticar o que nasce do amor?

Hoje, recebi um comentário dizendo que “Outubro é o mês do Outubro Rosa, e não do Outubro Laranja que eu inventei”. E confesso: comentários assim ainda me entristecem. Porque tudo o que compartilho aqui é feito com carinho, dedicação e um propósito muito claro — acolher, informar e apoiar mães de crianças com TDAH. Nada do que faço é inventado. É fruto de estudo, de escuta e da vivência com tantas famílias que enfrentam, diariamente, os desafios do neurodesenvolvimento. O que talvez nem todos saibam é que o Outubro Laranja não é uma invenção minha. O movimento nasceu em 2014, inspirado em campanhas internacionais de conscientização sobre os transtornos do neurodesenvolvimento, em especial o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e o TDL (Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem). O laço laranja simboliza atenção, empatia e inclusão — e o movimento vem ganhando força no Brasil, com reconhecimento crescente de profissionais da saúde, instituições e associações que lutam pela visibilidade dessas condições. Em alguns países, a cor laranja também é usada em campanhas de conscientização sobre atenção, foco e saúde mental — o que reforça o caráter internacional da causa. E é por isso que continuo. Mesmo quando alguém chega para criticar, eu lembro o porquê de estar aqui: para ajudar mães que se sentem sozinhas, sobrecarregadas ou perdidas a entenderem que não estão erradas — e que o amor, aliado à informação, é o melhor caminho. O Outubro Laranja não é sobre disputa de campanhas. É sobre ampliar vozes, quebrar preconceitos e fazer o mundo entender que o TDAH não é preguiça, falta de educação ou desinteresse — é um modo diferente de sentir, pensar e viver. Se este espaço toca o coração de uma mãe, já valeu a pena. E se você acredita nessa causa, compartilhe. Falar sobre o TDAH é espalhar empatia — e isso nunca é demais.
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O que pesquisas recentes dizem sobre o TDAH?

Nos últimos anos, a ciência tem avançado muito na compreensão do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) — um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais estudados no mundo. Essas descobertas têm ajudado famílias, escolas e profissionais a enxergarem o TDAH com mais empatia, menos culpa e, principalmente, mais estratégia. Um dos avanços mais importantes está na neuroimagem: estudos mostram que o cérebro da pessoa com TDAH apresenta diferenças nas conexões entre áreas ligadas à atenção, motivação e controle dos impulsos. Essas diferenças explicam por que a criança pode se concentrar muito em algo que gosta (o chamado hiperfoco), mas ter dificuldade em manter a atenção em atividades menos estimulantes. Não é falta de vontade — é o modo como o cérebro funciona. Outra linha de pesquisa importante tem mostrado que o TDAH não ocorre de forma isolada. Muitas crianças também apresentam outros desafios, como dificuldades de aprendizagem, Transtorno do Processamento Auditivo Central (PAC), Transtorno de Desenvolvimento da Linguagem (TDL) ou sintomas de ansiedade. Por isso, o diagnóstico precisa ser feito por uma equipe multidisciplinar, que olhe para a criança como um todo — e não apenas para o comportamento. Há também descobertas importantes sobre o impacto do ambiente. Estudos recentes destacam que um ambiente previsível, estruturado e afetuoso ajuda a reduzir a desregulação emocional e melhora a capacidade de autorregulação. Isso mostra o quanto o papel da família e da escola é essencial no tratamento. E o tratamento? As pesquisas continuam reforçando que a combinação entre acompanhamento médico, intervenções psicopedagógicas e estratégias familiares é o caminho mais eficaz. A medicação, quando bem indicada e acompanhada por profissionais, ajuda a equilibrar os níveis de neurotransmissores e melhora a qualidade de vida — não apenas da criança, mas de toda a família. Em resumo, a ciência tem mostrado que o TDAH é real, complexo e tratável. Quanto mais conhecemos, mais conseguimos transformar desafios em possibilidades — com informação, acolhimento e amor. Referências Barkley, R. A. (2023). Taking Charge of ADHD: The Complete, Authoritative Guide for Parents. Guilford Press. Shaw, P., Stringaris, A., Nigg, J., & Leibenluft, E. (2022). Emotional dysregulation in ADHD. American Journal of Psychiatry, 179(1), 43–54. Faraone, S. V. et al. (2021). Attention-deficit/hyperactivity disorder. Nature Reviews Disease Primers, 7(1), 1–17. Cortese, S. (2023). Pharmacological and non-pharmacological treatments for ADHD across the lifespan. Lancet Psychiatry, 10(4), 259–272.
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Avaliação Neuropsicológica: o que é e quais testes podem ser aplicados

Quando ouvimos falar em avaliação neuropsicológica, é comum que muitas mães fiquem em dúvida sobre o que esse exame significa, como funciona e por que ele é tão importante para crianças com TDAH e outras dificuldades de aprendizagem. A avaliação neuropsicológica é um processo detalhado que busca compreender como o cérebro da criança funciona em diferentes áreas: atenção, memória, linguagem, funções executivas (planejamento, organização, autocontrole), percepção, coordenação motora e aspectos emocionais. Ela não se limita a “dar um diagnóstico”, mas fornece um mapa do funcionamento cognitivo e comportamental, essencial para orientar professores, terapeutas e a própria família sobre como apoiar melhor a criança. Como é feita a avaliação? A neuropsicóloga inicia com uma entrevista clínica (anamnese), ouvindo a história da criança: desenvolvimento, rotina, escola, desafios e pontos fortes. Depois, são aplicados testes padronizados, adaptados à faixa etária e às dificuldades observadas. O processo pode levar de 3 a 6 sessões, dependendo da idade e da complexidade do caso. Principais testes aplicados Embora cada criança seja única e a escolha dos instrumentos varie, alguns testes são bastante comuns: Testes de inteligência (WISC-IV ou WISC-V, SON-R, Raven): avaliam raciocínio, memória de trabalho, compreensão verbal e velocidade de processamento. Testes de atenção (TAVIS, AC, CPT): analisam a capacidade de manter o foco, inibir impulsos e alternar a atenção. Funções executivas (Stroop Test, Torre de Londres, Wisconsin Card Sorting Test): exploram o controle inibitório, a flexibilidade cognitiva e o planejamento. Memória (Figura Complexa de Rey, testes de memória auditiva e visual): investigam a forma como a criança retém e recupera informações. Linguagem (Peabody, testes de vocabulário e fluência verbal): avaliam compreensão e expressão. Aspectos emocionais e comportamentais (BPA, CBCL, inventários de ansiedade/depressão): ajudam a entender como os fatores afetivos impactam o aprendizado. Por que é importante para o TDAH? No TDAH, muitas vezes não basta observar apenas o comportamento da criança. A avaliação neuropsicológica permite: Diferenciar o TDAH de outros transtornos (como dificuldades de aprendizagem específicas ou questões emocionais). Identificar com clareza os pontos fortes da criança, que podem ser usados como aliados no processo escolar. Indicar estratégias personalizadas para a escola e para casa. Traçar um plano de intervenção interdisciplinar (psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, pedagogia). Conclusão A avaliação neuropsicológica não é apenas um "papel com resultados", mas um instrumento de transformação: quanto mais cedo compreendemos como a criança aprende e processa o mundo, maiores as chances de ajudá-la a alcançar seu potencial. Se você tem dúvidas sobre a avaliação neuropsicológica, converse com o neuro ou psicólogo da sua confiança. Esse pode ser um passo essencial para apoiar seu filho da forma mais eficaz e amorosa possível. Eu indico a psicóloga Samara Cunha - @psicologasamaracunha (perfil do instagram)
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Outubro Laranja: mês de conscientização sobre o TDAH

O mês de outubro ganhou um significado especial no Brasil: ele é marcado pelo Outubro Laranja, um movimento de conscientização sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Mais do que uma campanha, o Outubro Laranja é um convite para refletirmos sobre os desafios e potencialidades das pessoas que vivem com o TDAH. Por que o Outubro Laranja existe? O TDAH ainda é cercado por mitos e preconceitos. Muitas vezes, a criança é vista como “desatenta”, “desorganizada” ou “mal-educada”, quando, na verdade, está lidando com características próprias do funcionamento do seu cérebro. O Outubro Laranja nasceu para informar, acolher e dar voz às famílias, professores e profissionais da saúde que convivem com essa realidade. É um espaço de educação, empatia e luta por direitos. Por que a cor laranja? O laranja simboliza energia, vitalidade e atenção. É uma cor que transmite movimento e entusiasmo — características que dialogam com os desafios, mas também com as forças de quem tem TDAH. Assim, vestir ou compartilhar a cor laranja em outubro é um gesto de apoio, um sinal de que estamos juntos nessa causa. Como você pode participar Participar do Outubro Laranja é mais simples do que parece. Algumas formas de se envolver: Compartilhar conteúdos confiáveis sobre TDAH. Apoiar outras mães que vivem os mesmos desafios. Conversar sobre o tema na escola do seu filho. Usar a cor laranja como símbolo de conscientização. Um convite ao acolhimento Aqui no Acalma, mãe! acreditamos que informação gera acolhimento. Quanto mais falamos sobre o TDAH, menos espaço damos para os julgamentos, e mais conseguimos criar uma rede de apoio para mães, pais e filhos. Que este Outubro Laranja seja um lembrete: o TDAH não define quem a criança é. Com compreensão, estratégias adequadas e muito amor, ela pode florescer e mostrar todo o seu potencial. Você já conhecia o Outubro Laranja? Compartilhe esse texto com outras mães para que juntas possamos espalhar informação e acolhimento!
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Rematrícula, mudanças e o frio na barriga de quem tem um filho com TDAH

Chegou a época de rematrícula. Normalmente eu encaro esse momento como pura burocracia: preencher papéis, escolher datas, organizar a parte financeira. Mas este ano foi diferente. O colégio do meu filho anunciou mudanças importantes no material didático e em alguns recursos de sala de aula. Confesso: no mesmo instante em que ouvi a notícia, senti um frio na barriga. Não é desconfiança da escola. Pelo contrário, confio profundamente na equipe e admiro o cuidado que eles têm com as crianças. Meu medo não é sobre a qualidade da mudança, e sim sobre como meu filho, com TDAH, vai reagir a tantas novidades de uma vez. Para quem convive com o transtorno, sabemos que o “novo” pode ser excitante, mas também desestabilizador. Cada ajuste — seja no tipo de caderno, na forma como a lição é apresentada ou no jeito de organizar a rotina — exige um esforço extra de adaptação. Enquanto preenchia a ficha de rematrícula, a cabeça não parava: Será que ele vai se frustrar? Vai sentir dificuldade para se organizar? Como posso ajudá-lo a atravessar essa fase com mais segurança? Essas perguntas me acompanham desde o diagnóstico, mas sempre voltam quando surge algo que foge do nosso “roteiro”. Hoje, ao escrever este texto, percebo que parte do cuidado começa antes da mudança acontecer. Conversar com a escola, entender cada detalhe, preparar meu filho explicando passo a passo — tudo isso ajuda a diminuir a ansiedade dele e a minha. E, principalmente, lembrar que adaptações levam tempo. É normal que os primeiros dias pareçam um desafio maior. Talvez esse seja o verdadeiro aprendizado para nós, mães: aceitar que não podemos controlar todos os fatores, mas podemos estar presentes e oferecer previsibilidade, acolhimento e paciência. A mudança faz parte da vida — e, mesmo com TDAH, nossos filhos podem aprender a atravessá-la contando com o nosso apoio e com a parceria da escola.
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Quem cuida da mãe que cuida?

Quem cuida da mãe que cuida? Ser mãe de uma criança com TDAH é viver um amor imenso — e, ao mesmo tempo, enfrentar uma rotina que exige energia, paciência e presença constantes. Consultas, reuniões na escola, terapias, tarefas de casa… a lista não tem fim. Nesse turbilhão de compromissos, muitas vezes surge uma pergunta silenciosa: quem cuida da mãe que cuida? É comum que a mãe se coloque sempre em segundo plano. O instinto de proteger e apoiar o filho fala mais alto e, pouco a pouco, o próprio bem-estar vai ficando de lado. As pausas para respirar diminuem, o corpo começa a dar sinais de cansaço e a mente, sobrecarregada, pede ajuda. Mas cuidar de si mesma não é egoísmo — é necessidade. Uma mãe que se cuida tem mais força, clareza e serenidade para cuidar também do filho. Autocuidado é sobrevivência Autocuidado não precisa ser complexo nem demorado. Pode ser aquele café tomado em silêncio, uma caminhada de dez minutos, uma leitura rápida antes de dormir ou um encontro virtual com amigas. O importante é criar pequenos momentos que recarreguem as energias e lembrem que você também importa. Rede de apoio faz diferença Permita-se pedir ajuda. Divida tarefas com o parceiro(a), familiares ou amigos. Se possível, procure um grupo de apoio — como o nosso Grupo de Escuta “Acalma, mãe!” — onde outras mães compreendem seus desafios e acolhem sem julgamentos. Cuidar da mente é cuidar da família Buscar acompanhamento psicológico ou terapêutico, quando possível, é um presente para você e para quem ama. Terapia não é sinal de fraqueza: é um caminho para fortalecer a sua saúde emocional e encontrar estratégias para lidar com a rotina. Em meio à dedicação diária ao filho com TDAH, lembre-se: você também precisa — e merece — ser cuidada. Reserve tempo para si mesma, aceite apoio e cultive o autocuidado. Porque quando a mãe se fortalece, toda a família floresce junto.
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O Grupo de Escuta “Acalma, mãe!”

Grupo de Escuta “Acalma, mãe!”: um espaço de acolhimento para quem vive o TDAH de perto Ser mãe de uma criança com TDAH é um ato de amor profundo – e também um desafio que, muitas vezes, só quem vive entende. Entre consultas, reuniões na escola, terapias e a rotina intensa em casa, não é raro sentir-se sobrecarregada, cansada ou até sozinha. Foi pensando em cada mãe que já viveu essa sensação que nasceu o Grupo de Escuta “Acalma, mãe!”. Nosso objetivo é simples e essencial: criar um espaço seguro para compartilhar experiências, trocar apoio e fortalecer nossa rede de acolhimento. É um lugar onde cada história é respeitada, onde não existe julgamento e onde o silêncio também é bem-vindo. Aqui, você pode falar ou apenas ouvir — tudo o que for compartilhado é acolhido com empatia e sigilo. Como funciona? Os encontros acontecem on-line, em formato de roda de conversa, com duração aproximada de uma hora. É um momento para desabafar, ouvir outras mães, aprender com diferentes vivências e lembrar que você não está sozinha nessa jornada. Por que participar? Estar em contato com outras mães que enfrentam os mesmos desafios fortalece, inspira e traz novas perspectivas. Muitas vezes, uma simples troca de experiências é suficiente para aliviar o peso do dia a dia e renovar as forças para continuar cuidando com amor. Quem pode participar? O grupo é exclusivo para seguidoras do perfil @acalma.mae. Se você já acompanha o nosso trabalho no Instagram, este convite é para você. Para garantir a segurança e o acolhimento de todas, pedimos que, ao se inscrever, informe o seu @ do Instagram. Assim podemos confirmar que você já faz parte da nossa comunidade. Como se inscrever? Basta preencher o formulário disponível no link da bio do @acalma.mae. Poucos dias antes do encontro, você receberá por e-mail o link da sala on-line e as orientações para participar. O Grupo de Escuta “Acalma, mãe!” é mais do que um encontro: é um abraço coletivo. Um lugar para dividir dores e alegrias, para rir e, se for preciso, chorar um pouquinho também. Porque, quando caminhamos juntas, a jornada fica mais leve.
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Hoje em dia todo mundo tem TDAH...

Você já ouviu — ou até falou — alguma dessas frases? Elas parecem inofensivas… Mas escondem preconceito, desinformação e invalidam o sofrimento real de muitas crianças (e adultos!) com TDAH. Hoje, temos mais conhecimento e acesso. E isso não é “exagero” ou “modinha” — É cuidado. É acolhimento. É ciência. No e-book “TDAH Infantil – Guia de apoio para mães” eu falo sobre como o diagnóstico pode ser uma porta para o cuidado — e como acolher uma criança com TDAH começa por acolher quem cuida. Compre agora. https://giovana1753967336.hotmart.host/tdah-infantil-guia-de-apoio-para-maes-acolher-uma-crianca-com-tdah-comeca-por-acolher-quem-cuida-95b6876e-cc5e-497e-b4e4-380f557a31ae?fbclid=PAQ0xDSwMEqoFleHRuA2FlbQIxMAABp5f1PaIVVhmjlb7gKcJQLFd8zYEq14Ez-fl_F-9ccR7rbmTT0oPPkc4yb_xd_aem_oeM0LQAJvdNrr0raA1acdg
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Seja bem vindos (as) ao Blog Acalma mãe

Eu sou a Giovana, mãe de um garoto incrível com TDAH 💛 Criei esse espaço porque sei como a jornada pode ser intensa, cheia de dúvidas, medos... e também de muito amor. Esse é um local de acolhimento, escuta e apoio para mães de crianças com TDAH. Aqui, você vai encontrar conteúdo leve, real e empático — feito com muito cuidado, para dias bons... e dias difíceis também. Você não está sozinha. Juntas, vamos aprender, compartilhar e respirar fundo quando tudo parecer demais. 🤍 💬 Comente de onde você está falando e o que mais gostaria de ver por aqui!
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Apoie o PL 4225/2023

Esse projeto de lei garante direitos escolares às crianças com TDAH, como adaptações pedagógicas e mais acolhimento dentro da escola. ⠀ Mas ele ainda está parado. E a verdade é que nossas crianças não podem mais esperar. ⠀ 📌 Eu criei uma petição pedindo que o PL avance com urgência. Se você acredita numa educação mais empática e inclusiva, assine. Compartilhe. Vamos juntas nessa luta. 💛 ⠀ 📲 Assine aqui: https://chng.it/8M7sSrKBQY
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